,

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 30 de Novembro: Meditação final (Parte XXXI)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!
30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas
por Monsenhor Ascânio Brandão

Livro de 1948 – 243 pags
Casa da U.P.C.
Pouso Alegre






30 de Novembro
MEDITAÇÃO FINAL
Lições do purgatório
Antes sofrer agora…
depois… depois será terrível! Agora, nossas orações, sacrifícios esmolas têm
um valor de certo modo infinito, pelos méritos do Sangue Preciosíssimo de Jesus
Cristo. Podemos fazer por nós, isto é, ganhar para nossa alma aqui, e para as
almas que sofrem no purgatório. Depois… ah!, quando nossa alma se separar do
corpo, daremos
 con­tas até de uma palavra ociosa, como diz o
Evangelho, e pagaremos até o último
 ceitil das nossas dívidas
para com Deus. Agora quanto mérito e quanta rique­za para a vida eterna!
Aproveitemos o
tesouro da misericórdia de Deus. Não abusemos da graça. Aproveitemos,
sobretudo, o tesouro infinito da Santa Missa.
É o que melhor
podemos dar às almas de nossos entes queridos. A Santa Missa é o primeiro e o
maior dos sufrágios pelos mortos. Por ela se apagam nos­sos pecados e aliviadas
são as almas do purgatório.
Afirma São Jerônimo,
um dos grandes Doutores da Igreja:
 Enquanto a sacerdote
celebra a Santa Mis­sa, muitas almas são libertadas do purgatório
.
E São Leonardo de Porto
Maurício
,
o grande Mis­sionário e apóstolo, fala indignado dos que se esque­cem dos seus
mortos queridos e não lhes sufragam as almas, que talvez sofram nas chamas
expiadoras:
 “Permiti que eu vos diga, fala o Santo,
se há gente avara e sem coração é a que não serve nem manda celebrar uma só
Missa pelos seus mortos e que até desvia legados e esmolas de sufrágios. Piores
que os demônios. Os demônios atormentam os condenados e estes atormentam as
almas santas do purgatório!”.
Oh! Não nos esqueçamos
dos nossos graves de­veres para com nossos defuntos! Pelo amor de Deus, vamos:
sufrágios, orações, sacrifícios, esmolas pelas almas benditas do purgatório!
Veremos quantas
graças nos virão do céu por esta caridade!
 A ingratidão nunca
entrou no purgatório
,
disse Santa Margarida Maria. O que fizermos pelas almas, receberemos cem por um
e o reino dos céus.
O dogma do purgatório
contém ensinamentos de uma verdadeira escola de perfeição. Quem pensa o que é e
o que se padece, depois desta vida, para ex­piação e purificação da alma antes
de ver a Deus, não teria o orgulho e o descuido da sua perfeição, como vemos
hoje em tantas almas, mesmo piedosas, mas esquecidas da tremenda realidade do
purgatório.
Quanto mais pensarmos
no purgatório, mais o ha­vemos de procurar evitar ou atenuá-lo.
Descendamus in
infernum viventes, ne descen­damus morientes
, dizia São Bernardo. Isto é: desça­mos
ao inferno pela meditação enquanto estamos vivos, para lá não irmos depois da
nossa morte.
Assim também façamos
com o pensamento do purgatório. Vamos, sim, vamos sempre meditar esta verdade,
para que a impressão salutar que ela nos causa nos ajude a tender a perfeição,
a procurar ter um pouco mais de zelo pela nossa santificação.
Dizia uma santa alma: Oh! Se os homens sou­bessem
o que lhes custará, na outra vida, a vida de pecado que levam, mudariam o modo
de proceder!

A sorte das almas em
nossas mãos
Num dia de Finados, o
grande rei da oratória sacra francesa lembrava aos fiéis do seu tempo estas
verdades que acho bom e útil recordar aos leitores meus de hoje:
“Cristãos, permiti-me
uma reflexão da qual me sinto penetrado e espero de vós o mesmo. Temos zelo
pela glória de Deus, mas, em nossa ignorância e inescusável grosseria não
aplicamos este zelo, muitas ve­zes devidamente nos verdadeiros interesses de
Deus, um exemplo.
Admiramos estes
homens apostólicos que, leva­dos pelo Espírito Divino, atravessam os mares e
vão ganhar para Deus as almas dos infiéis em países de bárbaros. No entanto,
sabeis que a devoção às almas do purgatório, o alívio e a libertação destas
pobres almas é uma obra de zelo que em relação ao seu ob­jeto não é inferior à
conversão dos pagãos, e de certo modo a ultrapassa?
Como? perguntarei.
Sim, porque as almas do purgatório, almas santas e predestinadas, confirma­das
em graça, são incomparavelmente mais nobres que as dos pagãos. Estão atualmente
num estado mais próprio da glorificação de Deus que os pagãos…
As almas que sofrem
no purgatório estão num estado de violência, porque privadas se acham da vis­ta
de Deus. Todavia, deveis saber, o purgatório é um estado de violência para o
próprio Deus. Ora, em que consiste este estado de violência em relação a Deus?
Ei-lo:
No purgatório Deus vê
as almas e as ama com sincero amor, amor de Pai enternecido. E no entan­to não
lhes pode fazer bem algum.
Almas cheias de
mérito, de virtudes e de santi­dade, e que não podem ainda receber a
recompensa. A nós cabe a missão de livrar estas almas. E Deus, tão misericordioso,
as deve punir. O amor de Deus é uma torrente que há de inundar as santas almas
no céu e, no entanto, pela violência da sua justiça, as deve purificar nas
chamas expiadoras”.
E nossas mãos está,
pois, a sorte das almas do purgatório. E não havemos, pois, de as socorrer?
Ide, exclama São
Bernardo,
 voai em socorro das almas do
purgatório. Intercedei por elas com vossas orações. Oferecei por elas o santo
sacrifício da Missa!
A sorte das almas
sofredoras está em nossas mãos. Diz a Sagrada Escritura:
 Benefac justo et
invenies retribuitionem magnam. Fazei o bem ao jus­to e tereis grande
recompensa.
 As almas do purga­tório são santas
almas de justos, cheias de méritos e de virtudes. Quanta santidade naquelas
chamas expiadoras! Pois bem. Tudo o que fizemos por elas terá grande
recompensa. É a palavra de Deus que no-lo garante!
Resoluções
Finda-se o mês de
Novembro. Espero tenha sido para vós, leitores queridos como vos pedi, um mês
de muito sufrágio e lembrança caridosa dos mortos.
O dogma do purgatório
é mister seja sempre lembrado. Faz bem à nossa alma e às almas de nos­sos caros
defuntos.
Portanto, vamos às
resoluções:
1.ª — Não passarmos
um só dia sem orar pelas almas do purgatório.
2.ª — Ofereçamos,
pelos defuntos, esmolas aos pobres, atos de caridade.
3.ª — Cumpramos o
dever de justiça e de ca­ridade, mandando celebrar a Santa Missa por alma de
nossos entes queridos, pais, parentes e benfeitores.
4.ª — Em vez de muita
pompa fúnebre e lágrimas de desespero, sufrágios, sufrágios e piedosa meditação
do purgatório.
5.ª — Finalmente,
escolhamos cada ano o mês de Novembro para alívio das benditas almas por es­peciais
sufrágios. Cada
 segunda-feira, se for possí­vel, a
assistência à Missa, uma Comunhão, um Terço pelas almas do purgatório,
sobretudo
 as mais aban­donadas.
A devoção às almas do
purgatório é a grande devoção da hora. Nunca foi mais necessária como nestes
tempos calamitosos. São tantos os que mor­rem cada dia e tantas as pobres almas
abandonadas!
E demais, esta
devoção nos oferece as vantagens:
1.ª — Aumenta o nosso
mérito pela caridade. É uma fonte de paz interior.
2.ª — Temos a certeza
de sermos agradáveis a Nosso Senhor, a Maria Santíssima e aos Eleitos do
Paraíso. E já não disse
 Santo Tomás que a oração pelos
mortos é mais agradável a Deus que a que fa­zemos pelos vivos?
3.ª — As santas almas
conhecem seus benfei­tores e… a
 ingratidão nunca entrou no
purgatório.
4.ª — Esta devoção,
diz
 Bourdaloue, é um sinal de predestinação. Quem a
possui tem como que um caráter, um selo de predestinado, ó, dizia o célebre
orador, se Deus me fizesse conhecer uma alma liber­tada do purgatório pelas
minhas orações, com que confiança não a invocaria eu!
5.ª — Depois de nossa
morte, Deus há de ins­pirar aos nossos amigos e parentes, façam eles por nós o
que fizemos pelas santas almas.
Quem ora pelas almas,
disse o Papa Adriano VI, as obriga ao reconhecimento e a rezar também pelos
seus benfeitores.
“Tudo que oferecemos?
por caridade aos defun­tos se muda em méritos para nós, e depois da morte
acharemos estes méritos”
, escreve Santo Ambrósio.
Podemos pedir a
proteção divina pelos sufrágios às santas almas. É um ato de caridade tão
meritório, que nossa oração toca logo o Divino Coração de Jesus.

Como é doce e
consolador poder orar pelos nos­sos mortos, vivermos em união com eles pelo
sacri­fício do altar e nossa preces!
Na verdade, santo e salutar é o
pensamento de orar pelos defuntos
, no dizer dos Macabeus do Livro Sagrado.
Requiem aeternam dona
eis, Domine! — Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno!
Exemplo
A piedade filial recompensada
Em Ravena, na Itália,
vivia um pobre merino órfão de pai e mãe, entregue aos cuidados de um irmão
mais velho que muito o maltratava. O pobre­zinho vítima de tantos maus tratos
era uma criança de uma inteligência viva, de um grande coração, e muito
piedosa. Um dia, ao passar por uma rua, en­contra uma moeda de prata. Um
sorriso de alegria lhe aflorou aos lábios descolorados pela miséria. Pelo menos
naquele dia teria algum dinheiro para comer. Andava tão fraco de fome a vagar
pelas ruas. De­pois, refletiu um instante:
— Meu pai morreu.
Deve talvez estar no purgatório e sofrer muito. Prefiro morrer de fome a deixar
sem uma Missa a alma de meu pobre paizinho.
Entra numa igreja,
procura um sacerdote e lhe diz:
— Padre, achei esta
moeda de prata e penso na pobre alma de meu pai, que deve estar no pur­gatório
. Sou muito pobre, e meu pai sem socorro.
O sacerdote achou
aquilo admirável numa crian­ça. Indagou a origem do pequeno, notou ser um me­nino
vivo e muitíssimo inteligente e piedoso, pois ha­via recebido boa formação
religiosa dos pais, já mor­tos. Resolveu adotar o menino; recebeu-o em casa,
deu-lhe educação e estudos, e mais tarde veio a ser sacerdote e um grande
talento, um gênio, um santo Doutor da Igreja:
 São Pedro Damião.
Vede como Nosso
Senhor recompensa os que se interessam pelas almas do purgatório e sobretudo
recompensa a piedade filial dos que não apenas cho­ram, mas não se esquecem do
sufrágio e da Santa Missa pelos seus pais já mortos.
É um dever de justiça
e de caridade rezar pelos pais mortos.
BIBLIOGRAFIA
SANTO TOMÁS — Summa
Theologica.
TANQUEREY — Synopis theologiae dogmatica.
CHR. PECH, S.J. — Praelectiones Dogmaticae — IX.
KNOL — Institutiones Theologiae Theoretieae — (6).
ROUSIC — Le
Purgatoire.
LOUIGI FALLETTI, S.M.
— I nostri morti e il purgatorio.
MARTIN JUGIE — Le
purgatoire et les moyens de l’eviter.
L’AUTEUR DE LA
FORTARESSE IMPRENABLE — Com­passion des Fideles Trepassés.
DON JUAN LANGUIA —
Sermonario breve.
MONSABRÉ — La vie
future.
ROSSIGNOLLI, S.J. —
Merveilles des annes du purgatoire.
MONS. LOUVET — Le
purgatoire d’apres les revelations de Saints.
BERLIOUX — Mois des
annes du purgatoire.