,

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas! — 11 de Novembro: O purgatório e as almas consagradas a Deus (Parte XII)



Nota do blogue:  Acompanhe esse Especial AQUI.

Tenhamos Compaixão das Pobres Almas!
30 meditações e exemplos sobre o Purgatório e as Almas
por Monsenhor Ascânio Brandão

Livro de 1948 – 243 pags
Casa da U.P.C.
Pouso Alegre




11 de Novembro
O PURGATÓRIO E AS
ALMAS CONSA­GRADAS A DEUS
Maior
responsabilidade
Sim, todos os que se
consagraram ao serviço de Nosso Senhor assumiram tremendas responsabilida­des
com a consagração ou os votos que fizeram. Re­ceberam mais luzes e graças do
que os simples fiéis. Foram privilegiados pela vocação, que os colocou num
plano superior. Muitas graças e privilégios, sim, po­rém muitas e tremendas
responsabilidades. Hão de dar contas mais severas a Nosso Senhor.
Que zelo não devem
ter para conservarem a pu­reza de consciência e evitarem todo pecado, ainda o
mais leve!
Santa Francisca
Romana
,
cujas visões do pur­gatório são bem conhecidas, dizia ter visto no fundo do
abismo as almas consagradas a Deus, e que pade­ciam no purgatório e abaixo,
muito abaixo dos leigos. As penas, dizia ela, eram proporcionadas à dignida­de
e à posição que ocupavam na Igreja.
As visões de Santa Francisca são confirmadas por
muitas outras idênticas de outros santos e almas eleitas, que sempre atestam o
rigor com que a divina Justiça pune no purgatório as faltas e imperfeições dos
seus eleitos.
Que isto cause
impressão nas almas consagradas e se lembrem que sofrimento estão preparando
para depois da morte quando levam vida de tibieza e não se esforçam por
corrigir defeitos que talvez julguem sem importância! Tremam os Superiores!
Tremam os Prelados! Que excusa podem achar diante do Senhor o grande Juiz dos
vivos e dos mortos quem recebeu com a teologia e com a ciência sagrada tantas
luzes sobre a vida espiritual e viveu inundado num oceano de graças e de
misericórdia? E as almas que foram entregues aos pastores e das quais hão de
prestar contas ao Senhor? Compreende-se porque os Santos fugiam das prelaturas
e dignidades, porque tremiam diante de uma mitra ou de um báculo pastoral.
É preciso ser muito
fiel à vocação e cumprir a missão confiada com muita perfeição. A Madre Fran­cisca
do Santíssimo Sacramento, uma santa religiosa carmelita de Pampeluna, teve 220
aparições de almas do purgatório. Entre estas almas viu
 dois Papas, Cardeais,
Arcebispos e Bispos, Cônegos e Padres
 e muitos religiosos e
religiosas. Nestas revelações, os dignitários eclesiásticos lamentavam dolorosa
e ter­rivelmente terem desejado e procurado dignidades na Igreja. E muitos
sofriam por negligências no ser­viço de Deus. —
 Ó Francisca, gemia uma alma sacer­dotal,
um Bispo! Um Bispo! Meu Deus! Antes eu nunca o tivesse sido… Que
responsabilidade!
 Outra se lamentava: “Os homens pensam
que basta ser pa­dre. É um estado que exige uma grande pureza de vida!
Francisca, eu apenas me salvei!”
 (Le Purga­toire
— Louvet).
Devemos rezar com
muito fervor e oferecer mais sufrágios pelas almas consagradas a Deus. Elas da­rão
contas mais severas a Nosso Senhor e terão um purgatório mais longo e doloroso.
Não canonizemos muito depressa sacerdotes e religiosos logo após a morte. O
purgatório das almas consagradas a Deus é terrível, dizia uma vidente. Por quê?
Porque tive­ram mais facilidade e muitos meios para evitar e abre­viar o seu
purgatório, e não os souberam aproveitar.

Quem mais recebeu…
Quem de Deus recebeu
mais graças, há de dar contas das graças com mais rigor. Os ignorantes, os
simples, os que não receberam tantos favores e pri­vilégios do céu,
naturalmente terão que dar a Deus menos contas dos seus pecados e serão
julgados com menos severidade. Que não será o juízo de um sa­cerdote, de uma
religiosa, almas estas cercadas de luzes e enriquecidas de uma multidão de
graças?! Eis porque mais terrível há de ser o purgatório dos sacerdotes e das
almas consagradas a Deus, bem co­mo das pessoas que possuem mais conhecimento e
re­ceberam mais graças de Nosso Senhor nesta vida. Não nos lembramos da
parábola dos talentos?
 Santa Francisca Romana teve muitas visões
admiráveis, e Nosso Senhor a fez descer em espírito ao purgatório.
Viu ela sacerdotes e
religiosas muito abaixo dos leigos, em sofrimentos horríveis e padecen­do muito
mais do que leigos que haviam cometido faltas bem graves e alcançaram o perdão
na hora da morte. Foi revelado à Santa que padeciam mais por­que neste mundo
receberam muito mais graças, ocupa­va um lugar muito alto no sacerdócio e a
consagração ao serviço de Deus.
 Minha filha, dizia uma alma do
purgatório a uma religiosa, segundo conta
 Mons. Louvet, minha
filha, seja bem santa, porque o purgatório dos sacer­dotes e das religiosas é
terrível!
No dia primeiro do
ano,
 Santa Margarida Maria rezava por três
pessoas recentemente falecidas. Duas religiosas e um secular. Nosso Senhor lhe
apresentou as três almas, dizendo-lhe: Qual das três queres sal­var primeiro,
filha?
— Senhor, escolhei
Vós mesmo, segundo o que for para vossa maior glória.
Então Nosso Senhor
escolheu a pessoa secular, dizendo que as religiosas tiveram nesta vida muito
mais graças e meios para expiar os pecados pela ob­servância da Regra, e que o
secular não havia rece­bido tantos privilégios e favores…
Os ignorantes, os
pobrezinhos, os humildes cheios de boa vontade e que não receberam de Deus
tantas graças e meios de se santificar como as almas con­sagradas a Deus, terão
naturalmente muita excusa no Tribunal divino e bem aliviado lhes será o purga­tório
pela divina misericórdia.
Os religiosos meditem
como em diversas apari­ções particulares Nosso Senhor revela quanto pune na
outra vida a falta de observância da Santa Regra e como esta Santa Regra
facilita a expiação da pena temporal neste mundo e abrevia, senão livra a alma
consagrada do purgatório.
A observância regular
é um meio poderoso de santificação, uma grande penitência que enche a al­ma de
méritos. Por um pouco de sacrifício de quan­tas penas não se livram na outra
vida os religiosos fiéis à santa Regra. E como devem tremer as almas
consagradas ao pensarem nas contas mais rigoro­sas que hão de dar a Deus pelo
número tão grande de graças escolhidas que receberam e às quais talvez não
tenham correspondido.
Até os Santos…
Para entrar no céu é
mister uma pureza angéli­ca, uma alma bem purificada e sem a menor mancha de
imperfeição. Eis porque até santos, homens de gran­de virtude passaram pelas
chamas expiadoras do pur­gatório, segundo diversas revelações particulares. O
Venerável
 Pe. Cláudio de La Colombière, diretor es­piritual
de
 Santa Margarida Maria e um homem de
extraordinária virtude, chamado por Nosso Senhor
 amigo e fiel servo, segundo foi
revelado à Santa sua dirigida, passou pelo purgatório. Morreu ele em
 Paray le Monial em 15 de Fevereiro de
1682, às cinco horas da manhã. Uma jovem veio trazer a notícia à Santa:
 rezai por ele e
mandai rezar por sua alma!
 Pouco depois do enterro, recebeu a
Santa outro re­cado misterioso:
 deixai de rezar por ele, porque agora
ele é quem rezará por vós.
Algum tempo depois, a
Superiora do Mosteiro notou que Margarida não rezava nem pedia mais ora­ções
pelo seu Diretor espiritual e perguntou-lhe a causa.
 Minha Madre, o Pe. La
Colombière não está mais em condições de receber nossos sufrágios. Ago­ra é ele
quem reza e pede por nós. Está no céu. Gra­ças à misericórdia do Sagrado
Coração de Jesus, ocupa um belo lugar no céu.
 Apenas para expiar algumas
pequenas negligências no exercício do amor divino, passou ele pelo purgatório e
esteve privado da Visão Divina até o momento de ser sepultado.
Eis um grande servo
de Deus privado do céu por algumas longas horas de um dia.
Santa
Lutgarda viu o grande e virtuoso Papa que foi Inocêncio III, nas chamas do
purgatório.
— Quem
és? Pergunta a Santa a uma aparição que sofria muito.
— Sou o
Papa Inocêncio III.
Meu
Deus! Um Papa tão santo no purga­tório?!…
— Sim,
expio minhas faltas. Pela misericórdia
 de
Maria fui salvo, mas ainda me falta uma longa expiação. Tenha pena de mim!
Tenha pena de mim!
São
Roberto Belarmino, no seu livro De Gemitu Columbae — Livro III, cap. IX —
refere-se a esta aparição, concluindo: Qual será o prelado, o homem de
responsabilidade que não trema diante disto? Quem não há de escrutar bem seu
coração e procurar evi­tar as menores faltas?
Até os
Santos passaram e passam pelo purga­tório. Como é necessário ser angélico e
muito santo para entrar no céu!
Viram-se homens de
uma grande virtude, santos, que passaram no purgatório, segundo o testemunho de
revelações particulares, como as de Santa Brígi­da, Santa Teresa, Santa
Margarida Maria e outras.
Quanta delicadeza de
consciência não é preciso a um sacerdote para oferecer cada dia o Santo Sa­crifício
da Missa e desempenhar a missão divina do seu ministério. Que purgatório
terrível o do sacer­dote tíbio! Que purgatório terrível também o das re­ligiosas
e religiosos que tão facilmente transgridem a Regra!
Exemplo
O purgatório e a
Ordem Seráfica
A prática do sufrágio
às almas é uma tradição da Ordem Seráfica! À grande penitente Santa Mar­garida
de Cortona disse Nosso Senhor numa revela­ção:
 Recomenda da minha
parte aos meus irmãos menores que se lembrem muito das almas do purga­tório,
porque o seu número é incalculável, e quase ninguém reza por elas. Dize-lhes
também da minha parte que não se imiscuam nas coisas do mundo e le­vem uma vida
de pobreza e de recolhimento para que não sejam severamente castigados na outra
vida.
Que lições para a
nossa alma! E para consolo nosso, meditemos este exemplo que nos trás a
 Auréo­la Seráfica:
Uma crônica
manuscrita do século XIII narra isto: “Um nosso irmão da Província da Saxônia
vol­tava para o convento após uma pregação, quando lhe anunciaram que haviam
falecido dois religiosos: o Padre Guardião e o Padre Vigário. Eis o que
sucedeu. Na seguinte noite o padre estava em oração, quando vê entrarem na cela
os dois defuntos cheios de esplendores e de uma beleza incomparável. Trê­mulo
de emoção, pergunta-lhes:
— Como vos achais?

— Salvos pela
misericórdia de Deus, — respon­dem os bem-aventurados — e gozamos da visão bea­tífica.
— Não passastes pelo
fogo do purgatório?
— Não, porque fizemos
nosso purgatório no fo­go da pobreza e Deus a aceitou em expiação. Fiquem todos
sabendo que nenhum de nossos irmãos irá para o purgatório se observar fielmente
a Regra de São Francisco e a santa pobreza, porque o crisol da pobre­za
purifica tudo”.
Unde noveris quod
nullus, servans Regulam Bea­ti Francisci et sanctam paupertatem ejus, purgato­rii
poenas sustinet quia per caminum paupertatis om­nia purgantur.
O Terceiro
Franciscano aí no século, trazendo oculto sob as vestes do mundo o hábito do
Pai Se­ráfico, fiel à Regra, não tem uma garantia segura do céu?
A santa Regra das
Ordens e Congregações re­ligiosas e das Ordens Terceiras, é sempre uma garan­tia
de salvação, e ou livra ou alivia muito o purgató­rio a sua observância.