no todo da Católica”52, a qual “Católica” não existe ainda e no
momento é “somente uma promessa, uma esperança escatológica”.
Em conclusão, é importante assinalar que von Balthasar, como também Blondel e De Lubac, cultivou “sua” teologia com evidente desprezo pelo Magistério da Igreja e especialmente por São Pio X, que, na encíclica Pascendi (1907), condenou o ecumenismo, em que desemboca inevitavelmente o naturalismo dos modernistas; e por Pio XII, que em Humani Generis condena tanto as tentativas de conciliar o idealismo, e portanto Hegel, com a teologia católica como o ecumenismo, em que todos se teriam, “sim, unidos, mas em ruína geral”. Em 1946, escrevia o Pe. Garrigou-Lagrange: “Para onde vai a nova teologia com os novos mestres em que se inspira? Para onde senão o caminho do ceticismo, da fantasia e da heresia?” E os novos “mestres” eram Hegel e Blondel, que Fessard (da “turma” de De Lubac) chamava, não sem razão, “nosso Hegel”59. Hoje, no domínio ecumênico, mais do que na fantasia, estamos no delírio. Num dos documentos “ecumênicos” dos mais escandalosos: “Indicações Úteis para Apresentar Corretamente o Judaísmo”, da Comissão para Relações com o Judaísmo, presidida pelo cardeal Willebrands60, pode-se ler que os católicos e os judeus, “ainda que partindo de pontos de vista diferentes [ler:opostos], tendem para fins análogos [sic], a vinda ou o retorno [é a mesma coisa!] do Messias”. É textualmente o pensamento de von Balthasar, que, como Hegel, encontra o modo de conciliar todos os opostos, fazendo violência à realidade dos fatos:
“Pedro, o renegado, abandona o julgamento do Senhor e se solidariza [sic] com os judeus [que crucificaram Cristo] […]; juntamente com vós, judeus, também nós, cristãos, esperamos a (re)vinda [sic] do Messias.”61
O que é, então, o ecumenismo para von Balthasar? É a “integração no todo da Católica”52, a qual “Católica” não existe ainda e no momento é “somente uma promessa, uma esperança escatológica”. Eis como Schönborn explica “a importância ecumênica” da “figura” de Maria em von Balthasar: “em Maria a Igreja aparece como a Igreja santa e imaculada, em quem a plena figura da Igreja, sua ‘catolicidade’, é não somente promessa, esperança escatológica, mas antes plenitude já realizada”.Então, contrariamente à Fé constante e infalível da Igreja, repetida por Pio XI em Mortalium Animos, e contrariamente ao dogma que todo e qualquer católico tem o dever de professar (Credo Ecclesiam unam, sanctam, catholicam), a catolicidade da Igreja não é uma realidade, realizada há dois mil anos, mas uma realidade que ainda está por se realizar, uma simples “promessa, uma esperança escatológica”. E o que é, então, a atual Igreja Católica para von Balthasar? Um “sistema” entre outros, uma das numerosas “configurações eclesiais”, teses ou antíteses (consoante ela recusa ou é recusada), que será ultrapassada e aniquilada na “Católica”, como as seitas, as religiões pagãs e idólatras e os diversos “marxismos”.
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| Depois do Concílio – Missa na Alemanha |
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| Depois do Concílio – Missa no Brasil |
Chegou a vez de outro representante da “nova
teologia”, hoje exaltado como “pedra angular da Igreja” (J.
Meinvielle), o ex-jesuítasuícoUrs von Balthasar. Se Maurice Blondel encarna o
tipo do filósofo modernista e apologeta, se Henri de Lubac é o tipo do teólogo
modernista, UrsvonBalthasar encarna o aspecto pseudomístico e ecumenista do
modernismo.
Temos em mãos a obra Urs von Balthasar ? Figura e Opera1, de Karl Lehmann e
Walter Kasper, personalidades da “nova teologia”. Lemos na orelha do
livro: “escrito por seus amigos e discípulos [Henrici, Haas, Lustiger,
Roten, Greiner, Treitler, Löaser, Antonio Sicari, Ildefonso Murillo, Dumont,
O´Donnel, Guido Sommavilla, Rino Fisichella, Max Shönborn… e Ratzinger],
pretende fazer redescobrir toda a importância e o valor de sua obra e de sua
pessoa”. Descubramo-lo também nós; é de extrema importância.
“Brilhante, mas Vazio”
Von Balthasar foi apaixonado, desde a juventude, pela música e, como Montini,
pela literatura, mais do que pelos estudos filosóficos e teológicos2. Somente a
filosofia “mística” de Plotino teve o poder de fasciná-lo. Ao
contrário, a filosofia e a teologia escolástica suscitaram seu horror:
“Todos os meus estudos durante os anos de formação na Ordem dos Jesuítas
foram uma luta enfurecida com a desolação da teologia, com o que os homens
tinham feito da glória da Revelação; não podia suportar essa figura da palavra
de Deus, queria aplicar golpes à direita e à esquerda com a fúria de um Sansão,
queria, com sua força, derrubar o templo e nele me enterrar. mas isso era,
agora que a missão começava, querer impor meus planos, era viver com minha
indignação infinita porque as coisas ficavam assim. Tudo isto eu não dizia
praticamente a ninguém. Przywara compreendia tudo, mesmo sem palavras; dos
demais ninguém me poderia compreender. Escrevi o “Apocalypse” com
essa fúria que se propunha destruir o mundo pela violência e reconstruí-lo a
partir das fundações, custasse o que custasse”3
A “missão” do futuro demolidor se esboçava. Pelo momento, o resultado
foi que seus estudos na Companhia de Jesus terminaram pela “dupla licença
eclesiástica em filosofia e teologia; Balthasar nunca obteve doutorado nessas
matérias”4.
Em compensação, porém, o jovem von Balthasar aprendera a correr atrás dos
sistemas e tendências agitadas do pensamento moderno, encorajado pelos
“grandes animadores da época de seus estudos”5. Erich Przywara, da
Universidade de Pullach-Munique, que o forçou a “confrontar Agostinho e
Tomás com Hegel, Scheler e Heidegger”6, e Henri de Lubac, da Maison
d´études de Lyon Fourvières. “Por sorte e para minha consolação”,
escreve vonBalthasar, “Henri de Lubac morava na casa conosco. Foi ele que,
além do material de estudo escolástico, nos levou aos Padres da Igreja e com
magnanimidade nos emprestava a nós todos [Balthasar, Daniélou e Bouillard] seus
próprios estudos e notas.”7 Foi assim que von Balthasar, “durante as
aulas, com os ouvidos tapados com algodão, leu todo [Santo] Agostinho” e
aprendeu, pelas notas generosamente emprestadas por De Lubac, a opor, com afetação,
a patrística à escolástica, cuja linguagem rigorosa não permitia os jogos
interpretativos com textos dos Padres da Igreja a que se entregavam os
“novos teólogos”8. Ao mesmo tempo, vonBalthasar conhecia a poesia
francesa: Péguy, Bernanos, Claudel, na tradução dos quais ele trabalhará
durante vinte e cinco anos.
No fim de seus estudos, aquele que, segundo De Lubac, seria “o homem mais
dotado de nosso século” (outro sistema dos modernistas consiste em criar,
uns para os outros, um halo de grandeza inexistente9), leva consigo somente uma
poeira, tão vasta quanto superficial, nos domínios que testemunham um
verdadeiro diletantismo. O Pe. Labourdette O.P., numa tirada significativa,
definiu um dos primeiros artigos de vonBalthasar como “uma página brilhante,
mas vazia”10.
Com esse “defeito de origem”, von Balthasar estava pronto para
engrossar o número dos eclesiásticos modernistas, “que, sob as aparências
de amor à Igreja, absolutamente deficientes em filosofia e teologia sérias,
impregnados, ao contrário, até os miolos, de um veneno de erro recebido dos
adversários da fé católica, se colocam, sem nenhuma modéstia, como renovadores
da Igreja”[ 11.
Privado de sólida formação filosófica e teológica, admirador apaixonado da
poesia e da música, von Balthasar misturará, com inacreditável
superficialidade, a teologia e a literatura, acreditando poder criar uma
teologia “dele” com a mesma imaginação com que um artista cria sua
obra de arte.
“Somente mais tarde”, escreve ele, “quando o brilho da vocação
já me acompanhava havia vários anos e quando eu tinha terminado meus estudos
filosóficos em Pullach (acompanhado de longe por Erich Przywara) e os quatro
anos de teologia em Lyon (inspirados por Henri de Lubac) com meus condiscípulos
Daniélou, Varillon, Bouillard e muitos outros, compreendi como seria de grande
ajuda para a concepção de minha teologia o conhecimento de Goethe, Hölderin,
Nietzsche, Hofmannsthal e, sobretudo, dos Padres da Igreja, para os quais me
dirigiu De Lubac. O postulado fundamental de minha obra Gloria foi a capacidade
de ver uma ‘Gestalt’ [forma complexa] na sua coerente totalidade: a visão
goethiana devia ser aplicada ao fenômeno de Jesus (sic) e à convergência das
teologias neotestamentárias”12
O Conquistador dos (Mal) Convertidos
Em 26 de julho de 1936, von Balthasar foi ordenado padre na igreja de São
Miguel em Munique. Em 1939, fez maisw uma vez os exercícios espirituais de
trinta dias, com o padre Steger, que “era, no meio alemão, um dos
primeiros a compreender a espiritualidade inaciana, não tanto asceticamente
quanto misticamente”13. Esta inclinação pela mística, que já manifestara
no contato com a filosofia de Plotino, se revelará cada vez mais nociva para
von Balthasar, de tanto que era desprovido de sólida base de saber filosófico e
teológico. Pouco depois, encontramo-lo como capelão dos estudantes, em
Basiléia, onde cultiva música e poesia (desta vez, alemã). Ele também organiza
cursos para estudantes e chama, entre outros oradores, Karl Rahner, Congar e De Lubac; no fim dessas noitadas, “sentava-se ao piano
e, de memória, tocava o Don Juan de Mozart” 14.
Em Basiléia, ele encontra o protestante Karl Barth,
que se torna (depois de Przywara e De Lubac) “o terceiro grande inspirador
da teologia de Balthasar”. “A teoria da predestinação de Barth”,
escreve, “atrai-me poderosa e constantemente” 15; mas a influência
decisiva que sofreu foi a do “cristocentrismo radical de Barth”16:
daí a idéia de um ecumenismo que reúne todos em torno de Cristo, separado de
sua inseparável Igreja, um Cristo que é, no final, o solusChristus de Lutero,
ainda que filtrado, como veremos, através de Hegel.
O
Vaticano II estava, contudo, ainda longe, e então “o encontro com os
protestantes acontecia, nesses anos, na Suíça, de modo quase inevitável (sic)
sob a perspectiva da conversão”17.
Foi assim que, em 1940, von Balthasar batizou (a contragosto?) o esquerdista
Béguin, que, em 1950, deveria suceder ao filocomunistaMounier na direção da
revista Esprit (o Osservatore Romano de 3 de março de 1979 dizia que Beguin e Esprit
prepararam o Vaticano II). Fato ainda mais importante, vonBalthasar batizará a
“convertida” Adrienne von Speyr, médica, casada em segundas núpcias
com o professor Kaegi, “mulher cheia de humor e de espírito, de língua
afiada, bem-vista na sociedade”18.
Em Basiléia, von Balthasar adquiriu rapidamente o renome de “conquistador
de convertidos”19. Parece-nos mais exato dizer dos “mal
convertidos”. Já citamos Beguin. De AdriennevonSpeyr convém dizer mais
amplamente que, como De Lubac esteve “em simbiose intelectual” com
Blondel, von Balthasar esteve em “simbiose teológica e psicológica”
com Adrienne von Speyr 20.
Lado a Lado com Adrienne
“Logo depois da conversão [de Adrienne] começaram a crescer os boatos de
milagres que, manifestamente, aconteciam durante os colóquios e visitas que ela
recebia. Murmurava-se sobre visões que ela tivera.” Murmurava-se também
sobre esses “longos e regulares encontros com seu diretor espiritual, von
Balthasar” 21.
Para publicar os escritos místicos de Adrienne, von Balthasar funda as Edições
Johannes; depois, com Adrienne, funda o Instituto Secular Johannes, e ainda
para Adrienne, como seus superiores não vissem evidência no misticismo de
Adrienne von Speyr, na véspera de sua profissão solene, von Balthasar deixa a
Companhia de Jesus, escolhendo a “obediência imediata” a Deus.
A partir de então, von Balthasar trabalhará na sombra de Adrienne, morando na
casa de seu marido, ocupando-se de literatura, de teologia estética (e
estetizante), de seus ditados “místicos”, até que, em 1960, a
mobilização neomodernista para o Concílio o engaja na febril preparação do
Vaticano II:
sem fim para escrever.”22
“Não é aqui o lugar”, lemos na página 51, “de submeter os
carismas de Adrienne a um exame teológico-crítico.” Ao contrário, teria
sido justamente o lugar e o caso, visto que o próprio von Balthasar afirma:
“sua obra e a minha não são separáveis nem psicológica nem
filologicamente. São as duas metades de um todo que tem por centro uma fundação
única”23 E ele começa Il nostro compito (Nossa tarefa) escrevendo:
“Este livro tem como objetivo, sobretudo, impedir que depois de minha
morte procurem separar minha obra da de Adrienne von Speyr.”24
Teria bastado a von Balthasar aplicar os critérios que a Igreja aplica em tais
casos para repudiar como falso o misticismo de Adrienne. Deixaremos de lado a
estranheza de “carismas” como os “estigmas” que ela teria
recebido quando ainda era protestante, “a possibilidade dada a seu
confessor [vonBalthasar] de ‘transferir Adrienne ao passado’, a cada uma das
suas idades, para percorrer sua biografia”25, sua virgindade recuperada,
segundo ela, depois de dois casamentos etc. Basta-nos, como teria bastado a von
Balthasar, aplicar o critério fundamental usado pela Igreja para julgar toda e
qualquer pretensa “revelação”:
“É preciso considerar como absolutamente falsas as revelações que se opõem
ao dogma ou à moral. Em Deus a contradição é impossível.”26
Á luz desse critério fundamental examinemos, entre
muitos outros, dois pontos que estão na origem de dois gravíssimos desvios
conciliares e pós-conciliares:
1) “A teologia da sexualidade” de Adrienne von Speyr;
2) Sua concepção da Igreja, a “Católica”.
Mas para Adrienne e von Balthasar, Deus Pode Contradizer-se
Segundo von Speyr, ou segundo von Balthasar (concordamos com Balthasar que é
impossível separá-los), Adrienne teria recebido do Céu a missão de
“repensar” o “valor positivo da corporeidade [ou ainda da
sexualidade] no interior da religião da encarnação” 27.
Acontece que este “valor positivo” é tão positivo que chegar a anular
as… conseqüências do pecado original e a advertência do Espírito Santo:
“quem ama o perigo nele perecerá”. Escreve Adrienne no seu diário:
“As receitas de se manterem afastados um do outro, de não se verem, no que
concerne à esfera do corporal, hoje estão esgotadas.”28 O que é claramente
contra o dogma do pecado original e contra o ensinamento tradicional da Igreja
no domínio moral. Fiel à sua “revolução sexual”, Adrienne concebe e
exprime sua relação “espiritual” com vonBalthasar pelas categorias
mais cruas da sexualidade. Assim, a gênese do instituto secular Johannes é
descrita como um gravidez, em que o instituto é a criança, Adrienne a mãe e
Balthasar o pai29. Eis, em seguida, como “Inácio” (leia-se Santo
Inácio) explica a Adrienne que ela recebeu os estigmas (mesmo sendo
protestante) para vonBalthasar: “mesmo sendo virgem [Adrienne, casada, só
por prodígio, apesar do ‘valor positivo’ da sexualidade], é um modo pelo qual a
mulher podia ser marcada pelo homem”30.
E, para que não tenhamos mais dúvidas sobre a linguagem atribuída pela
“mística” a “Inácio”, leremos o que segue:
“A fecundidade espiritual do homem será depositada na carne da mulher,
para que ela possa levar o fruto. Assim, a fecundidade de Hans Urs von
Balthasar foi posta nos estigmas que Adrienne tinha recebido para ele.” 31
E isto pode bastar para que se pergunte, com razão, se não estamos diante de um
caso de sensualismo pseudomístico.
Entretanto, aqui é importante indicar, na “inteligência do valor positivo
da corporeidade”, por parte de Adrienne, uma das causas, se não a causa
determinante, da exaltação atual da sexualidade, infelizmente em voga, até nos
meios religiosos, camuflada pelo slogan “integração afetiva”.
E von Balthasar? Ele também não admitia “que se pudesse diminuir o
significado dos corpos masculino e feminino (e, portanto, do ser humano
masculino e feminino) [de onde o ‘Caros irmãos e irmãs’ e as palestras sobre a
masculinidade e a feminilidade de João Paulo II!], justamente onde se fala de
uma real encarnação do Filho de Deus”32. E, na sua concepção estetizante
da teologia, ele deplorava:
“E onde foi parar o Eros no Cântico dos Cânticos [até como poema erótico,
naturalmente], que faz parte do centro da teologia?”33
Há pior, porém. Von Balthasar sabe muito bem que a “teologia mística”
da visionária não se enquadra na doutrina católica. “Na obra teológica
global de Adrienne”, escreve ele, “existem passagens particulares
que, fora de seu contexto, poderiam parecer às vezes estranhas [também dentro
do contexto]”34.
Em seguida, no prefácio, admite claramente que as obras de Adrienne “de
início são de espantar e talvez desorientadoras [sic] para alguns
leitores”35. Para vonBalthasar, contudo, isto não levantava dúvidas sobre
o carisma de Adrienne, mas sim sobre a… doutrina católica!…“As coisas”, escreve ele, são sempre tais que a teologia atual
não é ou não é ainda [sic] capaz de compreender o que é indicado” [nas
visões ou nos “ditados” de Adrienne]36. O que só pode ser dito
admitindo-se que a doutrina católica possa evoluir em contradição com ela
mesma, visto que a “teologia mística” de Adrienne não somente é
obscura, mas também está em oposição à teologia católica.
Infelizmente, von Balthasar não somente não aplicava (talvez porque não os
possuísse) os critérios teológicos, para ver claramente, ao
“misticismo” de Adrienne von Speyr, mas dividia com Blondel e De
Lubac a nova noção vitalista e evolucionista da verdade, pela qual, em Deus, e
portanto no desenvolvimento da doutrina católica, “a contradição é
possível”. Isto aparecerá de modo ainda mais evidente no segundo ponto que
nos propomos examinar e que permitirá compreender a borrasca de loucura
ecumênica que levou alguns responsáveis da Igreja Católica a ceder sem nenhum
freio.
Adrienne afirma que uma missão eclesial foi confiada pelo Céu a vonBalthasar e
a ela própria. Urs von Balthasar fala disso em Il nostro compito37. Adrienne,
numa visão “marial”, diz a Deus:
“Nós [Adrienne e von Balthasar] queremos amar-te, servir-te e agradecer-te
a ‘Igreja que nos confias’ […]. Estas últimas palavras foram pronunciadas de
modo improvisado e ditadas pela Mãe de Deus, isto é, nós [a Mãe de Deus e
Adrienne] o dissemos as duas juntas, e o filho (o nosso [de Adrienne e de von
Balthasar], você sabe), ela colocou-o uma fração de segundos nos braços, mas
não era somente a criança, era a Una Sancta em miniatura, e assim me parece que
é uma justa unidade de tudo o que nos foi confiado e que é trabalho em Deus
para a Católica.”
O que é então esta outra “criança” de Adrienne e de von Balthasar,
essa “Igreja” dita “Católica”, que Deus lhes teria
confiado?
Na introdução de Mystiqueobjectiva, de AdriennevonSpeyr, de Bárbara Albrecht38,
lemos acerca da “mística” Adrienne esta afirmação espantosa:
“Ainda que [Adrienne] se tenha afastado claramente e de modo decisivo da
forma protestante do cristianismo, por uma necessidade interior, falta a seu
conceito de ‘católica’ certa delimitação confessional.” Então, se o
afastamento de Adrienne do protestantismo foi claro e decisivo, sua conversão
ao catolicismo não foi nada clara e decisiva. A menos que se dê ao termo
“católica” um significado completamente diferente do habitual.
Note-se, de passagem, que o que escreve Bárbara Albrecht corresponde exatamente
ao testemunho da governanta italiana de Adrienne, a qual, como boa católica
veneziana, afirma claramente:
“Eu li também… essa história de ‘Mística’. Eu não gosto nada disso. Por
que escrever essas bobagens? Madame não era da Igreja, ela ia à missa somente
duas vezes por ano, no Natal e na Páscoa.”39
O mesmo conceito de “católico”, privado de “certa determinação
confessional”, encontramos em von Balthasar, que afirma ser também devedor
de Adrienne von Speyer. Em Katholisch, uma obra que publicou em 1975, ele
escreve:
“Essa pequena obra é, ao mesmo tempo, uma homenagem a meus mestres E.
Pryzwara e H. de Lubac e igualmente a Adrienne von Speyr, pois todos, em face
de uma teologia escolástica, me mostraram a dimensão da realidade católica,
vasta como o mundo.”
E nessa “catolicidade que não omite nada”40, tudo encontra lugar e
justificação: a verdadeira e as falsas religiões, a Igreja Católica e as seitas
heréticas e/ou cismáticas, o sagrado e o profano, a religião e o ateísmo;
abreviando: o erro e a verdade, o bem e o mal. Exatamente como na dialética
hegeliana.
Aprofundemos a conversa. UrsvonBalthasar(admite a revista Communio) é exaltado
como “teólogo da beleza” e “ao mesmo tempo é criticado por seu
estilo hermético e complicado”41. Além disso, escreve ainda Communio, o
que se conhece e o que se diz dele “representa (‘mal haja quem nisto põe
malícia?’) somente a ponta do iceberg”. Lancemos pois um olhar para a
parte submersa do iceberg, isto é, para o que se esconde sob o estilo hermético
e complicado, para ver se há ou não razão para pensar mal dele.
Aparentemente, os escritos de von Balthasar são obscuros e herméticos e seu
comportamento é incompreensível. Por exemplo, ele trabalha para demolir a
teologia católica e a Roma católica, mas critica asperamente Karl Rahner e o
“complexo anti-romano”; quer o ecumenismo mais vasto possível, que
abrace até as religiões pagãs e idólatras, mas critica a “tendência à
liquidação” dos católicos pós-conciliares. Entretanto, basta possuir a boa
chave interpretativa de sua teologia para que tudo se torne claro. Esta chave
interpretativa é o idealismo em geral e a lógica hegeliana em particular, que,
sabe-se, é diametralmente oposta não só à lógica aristotélica e tomista mas
também ao bom senso comum. Enquanto a lógica aristotélica, de fato, tem por
fundamento o princípio de identidade e de não-contradição, segundo o qual os
opositores se excluem, a lógica hegeliana é fundada no princípio exatamente
contrário: os opostiores não se excluem, mas são a alma da realidade, sendo
momentos necessários, apesar de abstratos; realidade que é uma síntese de
opositores na qual os ditos opostos (afirmação e negação, teses e antíteses)
encontrarão sua realização e sua verdadeira realidade.
Urs von
Balthasar aplicou à eclesiologia essa lógica obscura e hermética, porque ele
ignora “o medo da contradição”, medo que é natural a qualquer homem
de bom senso, mas que foge das preocupações do… ecumenismo atual: tantas
“Igrejas”, tantas “religiões”, o ateísmo, com suas
contradições, não espantam von Balthasar e, segundo seu julgamento, não devem
espantar ninguém, porque são somente os momentos (teses e antíteses, afirmações
e negações) desse processo que conduzirá inevitavelmente, por necessidade
intrínseca, à síntese, que é a “Católica” (a catolicidade que não
omite nada, a universalidade sem exclusão alguma), na qual se realizará
(finalmente, depois de dois mil anos) a verdadeira Igreja de Cristo.
Uma vez possuindo esta “chave”, a teologia de von Balthasar de
hermética se torna transparente e todo o mundo pode ver a enormidade doiceberg
que navega sob a água contra a santa Igreja de Deus.
Ecumênico
Do “delírio filosófico” de Hegel (assim o define Schopenhauer) só
poderia nascer o atual delírio ecumênico.
Com esta chave interpretativa, de fato, é possível compreender todos os enigmas
de vonBalthasar e do ecumenismo atual, de que
é mestre e autor. Compreende-se, de fato, porque no diálogo ecumênico
“uma única coisa fica: fiar-se nas configurações eclesiais e teológicas e
na rivalidade entre elas”42. Só o jogo necessário dos opositores é que
conduzirá à síntese: “Se esta indicação é levada a sério [fiar-se nas
rivalidades]”, escreve vonBalthasar, “então ela exige muito daqueles
que lutam cristãmente pela catolicidade, sobretudo o não fixar-se em nenhum
sistema [católico ou não] que, a priori, se suponha onicompreensível e ofereça
a mais ampla perspectiva, e não desprezar os pontos de vista opostos.”43
Essa onicompreensividade, de fato, será dada somente à “Católica”,
que é a síntese, e não aos sistemas atuais (incluindo o “sistema”
católico”), que são as teses e antíteses destinadas a ser ultrapassadas,
aniquilando-se mutuamente, na síntese.
Aos “sistemas” atuais pede-se somente duas coisas: por um lado, que
favoreçam a síntese, o “relaxamento e o degelo” de seu próprio
bloqueio em torno de um ponto de vista que exclui os pontos de vista opostos;
por outro lado, a “competição”, o deixar agir a
“rivalidade” com os outros sistemas, incluindo as “formas de
cristianismo anônimo”44. A síntese, de fato, brota justamente do jogo dos
contrários. Tudo isso é incompreensível pela lógica aristotélico-tomista, que é
a lógica do bom senso, mas não pela lógica hegeliana.
Compreende-se, então, por que o atual ecumenismo (ver Assis45) põe no mesmo
plano e até mantém separadas as diversas “religiões” (“não
queremos sincretismo”, e é verdade) e, ainda quando promove o insensato
diálogo, quer que os budistas sejam bons budistas, os católicos bons católicos
(segundo a “nova teologia”, é claro), os protestantes bons
protestantes e assim por diante: a “competição”, o jogo das
“rivalidades”, de contradições e oposições é essencial ao processo
que conduzirá à super-Igreja ecumênica, a “Católica”, síntese de
todas as religiões, na qual enfim as contradições e oposições serão
ultrapassadas.
Compreende-se também por que von Balthasar teve, como De Lubac, sua
“crise” pessoal pós-conciliar, que, entretanto, também para ele não
foi uma conversão46. Não entrava em sua lógica hegeliana que os católicos
abandonassem assim sua identidade: a “Católica” é, também ela,
“comunhão entre aquilo que aparentemente se exclui”47. Assim, os
contrastes são essenciais à realização da dita “comunhão”, exatamente
como, na lógica de Hegel, a tese e a antítese são essenciais à realização da
síntese, pois, se a tese se retira da “competição” e se torna também
antítese, nunca haverá “síntese”48.
Eis por
que a Igreja Católica não deve “pôr entre parênteses” mas deve
“integrar” (é a palavra-chave para von Balthasar) no “todo
católico” (= a “Católica”) tudo o que é visto atualmente como
“excesso católico”49. No seu livro, enganador e mal-compreendido, Le
Complexe antiromain, que tem o incrível e significativo (e freqüentemente
omitido) subtítulo Como Integrar o Papado na Igreja Universal (=
“Católica”?), vonBalthasar sugere justamente a maneira de integrar
“esse elemento, que parece atrapalhar, ao todo católico”, que
claramente não é a Igreja Católica. Eis a maneira sugerida: a Igreja deve ser
não somente de Pedro mas também de Paulo, de Maria e de João50. E assim o
primado de jurisdição, definido pelo Vaticano I, se apaga atrás de um vago
primado da caridade inventado por vonBalthasar (e por seus “irmãos
separados”), para o qual João Paulo II, como São Paulo, percorre o mundo
há anos, explicando aos jornalistas que ele recebera não somente o carisma de
Pedro mas também o de Paulo!
A Apostasia
Basta conhecer o Catecismo da Igreja Católica (o antigo, não o novo) para
compreender que o ecumenismo de Balthasar é uma verdadeira proposta de
apostasia.
Christophe Schönborn, secretário de redação (aviso ao leitor!) do novo
“Catecismo”, por ocasião do primeiro aniversário da morte de
vonBalthasar ilustrou o ecumenismo na Igreja de Santa Maria em Basiléia51.
O que é, então, o ecumenismo para von Balthasar? É a “integração no todo
da Católica”52, a qual “Católica” não existe ainda e no momento
é “somente uma promessa, uma esperança escatológica”. Eis como
Schönborn explica “a importância ecumênica” da “figura” de
Maria em vonBalthasar: “em Maria a Igreja aparece como a Igreja santa e
imaculada, em quem a plena figura da Igreja, sua ‘catolicidade’, é não
somentepromessa, esperança escatológica, mas antes plenitude já
realizada”. Então, contrariamente à Fé constante e infalível da Igreja,
repetida por Pio XI em MortaliumAnimos, e contrariamente ao dogma que todo e
qualquer católico tem o dever de professar (Credo Ecclesiam unam, sanctam,
catholicam), a catolicidade da Igreja não é uma realidade, realizada há dois
mil anos, mas uma realidade que ainda está por se realizar, uma simples
“promessa, uma esperança escatológica”. E o que é, então, a atual
Igreja Católica para vonBalthasar? Um “sistema” entre outros, uma das
numerosas “configurações eclesiais”, teses ou antíteses (consoante
ela recusa ou é recusada), que será ultrapassada e aniquilada na
“Católica”, como as seitas, as religiões pagãs e idólatras e os
diversos “marxismos”.
No catolicismo, não menos que no protestantismo, para vonBalthasar, a
“negação do outro, a recusa da comunhão”, teria produzido uma unidade
que, no fundo, consistia somente na reunião em torno de um ponto de vista
rígido”. 53
A Igreja Católica é a “realização romana da Catolicidade”54; tanto a
Igreja Católica como as seitas heréticas e/ou cismáticas, o próprio judaísmo e
as “formas anônimas do Cristianismo” são “o todo em
fragmentos”, onde o todo é a “Católica” e a Igreja Católica é um
dos numerosos fragmentos que, inevitavelmente, retornam ao todo. “Cada
fragmento”, escreve von Balthasar, “faz logo pensar no vasto sagrado
de que ele provém, cada pedaço brilha pelo espírito, a partir da obra inteira
completa”55, e a Igreja Católica é um “fragmento”, um pedaço
entre os outros.
Vê-se claramente, então, por que já não se ensina que a Igreja de Cristo
“é” a Igreja Católica, mas continua-se a ensinar, com o Vaticano II
(ver o novo “Catecismo”), que a Igreja de Cristo “subsist
in”, subsiste na Igreja Católica, exatamente como o “todo no
fragmento”! Eis por que, no diálogo ecumênico, em matéria de fé, o
católico concorda em aprender tanto quanto os outros:
“Para os católicos é imperativo afastar a voz daqueles que nos sugerem e
nos levam de volta a algum pedaço que falta [sic] ou medianamente valorizado da
integridade da fé.”56
É por isso que hoje, como escreve Romano Amerio, “se professa abertamente
que a união não se deve fazer por conversões individuais, mas pelo acordo das
grandes coletividades [as diversas teses e antíteses] que são as Igrejas”,
e que essa união deve fazer-se não por um retorno dos separados da Igreja
Católica, mas “por um movimento de todas as confissões para um centro que
está fora de cada uma delas [a síntese evolutiva]”57
E aqui a proposta de apostasia, isto é, de abandono de toda e qualquer doutrina
de fé, se torna flagrante. Onde achar a Revelação Divina na sua integridade e
na sua pureza senão na Igreja Católica? Propor aos católicos, de maneira mais
ou menos dúbia, o êxodo da Igreja Católica é propor a apostasia:
“A fé em Jesus Cristo não ficará pura e
incontaminada se não for sustentada e defendida pela fé na Igreja, coluna e
fundamento da verdade (1 Tm 3, 15).”58
Em conclusão, é importante assinalar que vonBalthasar, como também Blondel e De
Lubac, cultivou “sua” teologia com evidente desprezo pelo Magistério
da Igreja e especialmente por São Pio X, que, na encíclica Pascendi (1907),
condenou o ecumenismo, em que desemboca inevitavelmente o naturalismo dos
modernistas; e por Pio XII, que em Humani Generis condena tanto as tentativas
de conciliar o idealismo, e portanto Hegel, com a teologia católica como o
ecumenismo, em que todos se teriam, “sim, unidos, mas em ruína
geral”. Em 1946, escrevia o Pe. Garrigou-Lagrange: “Para onde vai a
nova teologia com os novos mestres em que se inspira? Para onde senão o caminho
do ceticismo, da fantasia e da heresia?” E os novos “mestres”
eram Hegel e Blondel, que Fessard (da “turma” de DeLubac) chamava,
não sem razão, “nosso Hegel”59. Hoje, no domínio ecumênico, mais do
que na fantasia, estamos no delírio. Num dos documentos “ecumênicos”
dos mais escandalosos: “Indicações Úteis para Apresentar Corretamente o
Judaísmo”, da Comissão para Relações com o Judaísmo, presidida pelo
cardeal Willebrands60, pode-se ler que os católicos e os judeus, “ainda
que partindo de pontos de vista diferentes [ler:opostos], tendem para fins
análogos [sic], a vinda ou o retorno [é a mesma coisa!] do Messias”. É
textualmente o pensamento de von Balthasar, que, como Hegel, encontra o modo de
conciliar todos os opostos, fazendo violência à realidade dos fatos:
“Pedro, o renegado, abandona o julgamento do Senhor e se solidariza [sic]
com os judeus [que crucificaram Cristo] […]; juntamente com vós, judeus,
também nós, cristãos, esperamos a (re)vinda [sic] do Messias.”61
Contudo, von Balthasar e seus companheiros da “nova teologia” nunca
teriam conseguido impor na Igreja suas nebulosas elucubrações, que não têm a
seu favor nem a força da verdade da razão nem a força da verdade revelada, se
João Batista Montini não tivesse subido ao trono de Pedro, mas… daquele mal
teólogo filomodernista, posto ao serviço da “nova teologia”, sua alta
autoridade e seu sucessor foram os propagadores eufóricos. Voltaremos a falar
nisso.
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Sim Sim Não Não, no. 14, fevereiro de 1994
1.Ed. Piemme.
2.Figura e opera, pp. 29 ss.
3.Ibid., p. 35, citado da introdução de ErdeundHimmel (Terra e Céu).
4.Ibid., 33-34.
5.P. 35.
6.Urs von Balthasar, PriifetAlles, p. 9.
7.Ibid.
8.Ver Figura e opera, p. 36.
9.Ver São Pio X, Pascendi.
10.Ibid., pp. 47-48.
11.São Pio X, Pascendi.
12.Il nostro compito (Nossa tarefa), Jaca Book, p. 29.
13.Ibid., p. 37.
14.Ibid., p. 39 ss.
15.Unser Auftrag, p. 85.
16.Figura e opera, cit., p. 43.
17.Henrici S.J., op. cit., p. 44.
18.Ibid., p. 45.
19.Ibid., p. 44.
20.Op. cit., p. 147.
21.Idem.
22.Ibid., p. 59.
23.P. 60, citado de Rechenschaft ou, em italiano, Il filo diAriannaattraversola
mia opera.
24.P. 13.
25.Il nostro compito, p. 13, nota 1.
26.Antonio Royo Marin O.P., Teologia dellaperfezionecristiana, p. 1077.
27.Il nostro compito, p. 25.
28.P. 1.703; ver Il nostro compito, p. 91.
29.Communio, mai-jun de 1989, pg. 91.
30.Ibid., pp. 91 ss, citando o parágrafo 1.645 de ErdeundHimmel, obra póstuma
de Adrienne.
31.Erde undHimmel, II § 680.
32.A. Siccari O.C.D., Communio, nov-dez. de 1991, p. 89.
33.Figura e opera, cit., pp. 58 ss.
34.Il nostro compito, p. 14.
35.Ibid., p. 9.
36.Ibid., p. 16.
37.P. 61; UnserAuftrag, p. 78; ver Communio, mai.-jun. de 1989, p. 102, que dá,
entre parênteses, as explicações necessárias.
38.Jaca Book, p. 72.
39.Il Popolo de Pordenone, 16 de agosto de 1992.
40.Ibid., p. 32.
41.Mai.-jun. de 1989, p. 83.
42.Figura e opera, cit., p. 417.
43.Ibid., citado por AnspruchaufKatholizität, p. 66.
44.Ibid., pp. 69-70.
45.Na cidade italiana de Assis, em 1986, deu-se uma reunião de representantes
de todas as religiões, convocada por João Paulo II, e que, dando origem ao
chamado “espírito de Assis”, se vem repetindo desde então todos os anos, em
diferentes cidades. Já provocou diversos escândalos, como uma imagem de Buda
posta sobre um sacrário.
46.Ver Figura e opera, pp. 417-418.
47.Communio, jul-ago de 1992, art. H. Urs von Balthasar, Communion:
unprogramme.
48.Ver Figura e opera, p. 417.
49.Ibid., p. 446.
50.Ibid., p. 447.
51.Ver Figura e opera, pp. 31 ss: “A Contribuição de Hans UrsBalthasar ao
Ecumenismo”.
52.Ibid., p. 448.
53.Ver Figura e opera, p. 407.
54.Ibid., p. 405.
55.Citado em Figura e opera, p. 409.
56.H. U. vonBalthasar, KleineFibel, p. 92, citado em Figura e opera, p. 444.
57.R. Amerio, Iota Unum, NouvellesEditions Latines, p. 461.
58.Pio XI, MitBrennenderSorge.
59.Ver A. Russo, H. de Lubac: Théologie et dogmedansl´Histoire. L´Influence de
Blondel.
60.Ver SìSì No No, ed. francesa, no. 64, outubro de 1985.
61.H. U. vonBalthasar, Communio, jul.-ago. de 1992, p. 57.

