Mas, e a Ressurreição? Ela é o triunfo, isso é verdade. Porém, ela é o triunfo vivido de maneira oculta, por um Deus sem arrogância. Ela acontece novamente, mas em silêncio e solidão. Dentro do túmulo de pedra, de noite, ninguém estava lá, exceto os soldados que guardavam a entrada. Da mesma maneira, em uma voz mais baixa, no silêncio que permanece escondido nas profundezas das palavras do sacerdote, o “Alter Christus” no altar do Sacrifício, a Ressurreição novamente estará presente. Em silêncio e solidão.
E assim vemos o “porquê” e o “como” o que significa “estar na Missa”, como alguém “assiste” ao Santo Sacrifício da Missa, a Missa antiga. Isso está longe da gritaria e dos aplausos, longe do comportamento frenético e da síndrome de querer ser o centro das atenções, longe os microfones crepitantes e com deformação de som, longe da inundação de fraseologia fria, longe da Missa reformada no estilo dos anos 70, uma década cheia de retórica cansativa ornada de slogans populistas que no final não têm utilidade alguma para alguém de qualquer tempo, uma das piores décadas já vividas na face da terra.
(HOJE PODEMOS DIZER COM CERTEZA: O POVO SE PERDE POR PREGUIÇA: DE LER, DE
PENSAR…. A GRANDE MAIORIA PREFERE SÓ OLHAR FIGURAS E ‘CURTIR’ BOBAGENS.
Traduzido do italiano pelo Padre
Richard G. Cipolla
Fonte original: “La Cuccia del Mastino”, 14 de janeiro de 2014
Missa Tradicional
compreensão mais profunda da Missa, especialmente, de acordo com a Forma
Extraordinária, que pessoalmente prefiro: o silêncio e a solidão. O altar,
antes, durante e depois do Sacrifício, é coberto em silêncio. E pela solidão: a
do celebrante, o “AlterChristus.”
Mas como isso pode acontecer, alguém dirá, uma vez que a Páscoa e, portanto, a
celebração são triunfos? Isso é verdade. Mas a celebração da Missa também é a
renovação da Paixão e Morte de Cristo, que se desenrola no silêncio, na
solidão, na traição, na negação e na fuga dos discípulos. Na Última Ceia,
Cristo é traído e vendido por Judas. No Jardim das Oliveiras, na noite antes de
sua morte, Cristo é deixado sozinho para suar sangue, enquanto seus discípulos
dormem, em vez de rezar com Ele, a única coisa que lhes pedira. Naquela mesma
noite, Pedro o nega três vezes. Ninguém tenta salvá-Lo, ninguém se oferece para
suportar o peso de Sua cruz, mesmo por pouco tempo (o Cireneu foi forçado a
fazê-lo). Ninguém parece conhecê-Lo ou reconhecê-Lo.
Cristo, em um momento de verdadeira dor humana, clama em voz alta ao Seu Deus,
ao Abba, o abismo de miséria e solidão em que mergulha em silêncio. “Solidão”.
A mesma solidão que o sacerdote, o AlterChristus,
experimenta nesse momento no altar do Sumo Sacrifício, o Gólgota renovado,
onde, de um modo real e mais uma vez, a Paixão de Cristo irrompe. O sacerdote
está sozinho no altar. E a esta solidão soma-se a sombra protetora da solidão:
silêncio. Na colina desolada do Gólgota, primeiro no Jardim [das Oliveiras] e é
assim em seguidacomo no túmulo, Cristo está sozinho e em silêncio: o silêncio
de sua obediência, do cálice de amarga aflição, o suor misturado com sangue. E
este é o silêncio da impotência, uma impotência que por um momento parece até
mesmo ser uma impotência deDeus. “Meu Pai, Abba, por que me abandonaste?” O
“silêncio” de Deus, neste momento, quando a onda do abismo está quebrando sobre
Cristo, parece quase como o naufrágio da Divindade no nada.
Porém, também é a impotência e a desolação que vem do primeiro e eterno “Sim”,
em obediência da Maria aos pés da Cruz, ao aceitar este Filho que não era para
ela conservar para Si: “StabatMater dolorosa…” Esse é o silêncio temeroso que
foi experimentado pela maravilhosa Santa Teresa de Lisieux em seu leito de
morte, quando ela gritou, naquele momento derradeiro de agonia e escuridão, que
ela não tinha sensação da presença de Deus.
Silêncio. Assim como os discípulos estavam em silêncio, tal estava Maria, e
igualmente todos os que amavam Cristo como homem e Messias.
Havia silêncio por causa da obediência.
final, as coisas “tinham mesmo que acabar” daquela maneira… Todos permaneceram
em silêncio.
do Filho de Deus.
não deveriam “participar”, mas “assistir”, mantendo o silêncio — aquele mesmo silêncio
que resguarda o sacerdote enquanto ele oferece o Sacrifício de Cristo e de si
mesmo.
devem oferecer a sua parte naquilo que compõe o mistério, ou seja, no milagre, assim
como prometeu o Messias, quando disse que não nos deixaria órfãos.
bemverdade. É, porém, o triunfo vivido de maneira oculta, por um Deus sem
arrogância. Na Missaacontece novamente, mas em silêncio e solidão.
lá, exceto os soldados que guardavam a entrada.
silêncio que permanece escondido nas profundezas das palavras do sacerdote, o AlterChristus no altar do Sacrifício, a
Ressurreição novamente estará presente. Em silêncio e solidão.
E assim vemos o “porquê” e o “como” do significado de “estar na Missa”, como
alguém que “assiste” ao Santo Sacrifício da Missa, isto é, da Missa antiga.
Isso está longe da gritaria e dos aplausos, longe do comportamento frenético e
da síndrome de querer ser o centro das atenções, longe dos microfones
crepitantes e do som desafinado, longe da inundação de fraseologia fria, e
longe da Missa reformada no estilo dos anos de 1970 — década cheia de retórica
cansativa, ornada de slogans populistas, que, em suma, nada tem de útil para
oferecer, a ninguém de nenhuma época (nesta, que é uma das piores décadas já
vividas na face da terra).

