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Nem todo mundo está feliz com o Papa Francisco. Começando pelos jovens padres



DESTAQUE

Nós estamos
assistindo, novamente, a uma grande mudança de valores – o certo agora é
errado. É motivo de escândalo “a forma como eles se vestem, a forma
como celebram a missa e a forma como se posicionam
“!

O jovem padre se questiona: Por que o que
me ensinaram no seminário parece ser tão diferente do que sai da boca do Papa?
 Um
questionamento certamente legítimo nesses tempos de incertezas e de magistério
oficioso das entrevistas e telefonemas, e só por essa dúvida cruel temos a
certeza de ser real a perplexidade deste jovem padre, bem como acerca do nível
de formação que recebeu. Certamente não frequentou um seminário progressista,
porque se tivesse passado por uma casa de formação moderna não iria ligar muito
para o que o Papa fala.

Estamos realmente vivendo um
período de aquecimento para uma caçada [às ‘bruxas’ do tradicionalismo]. Quem
vai soar as trombetas? A morte de Bento XVI, é claro. Acredito – e aqui é pura
especulação minha, fique avisado – que o Motu Proprio Summorum Pontificum só não
foi revogado ou anulado porque Ratzinger ainda vive. A partir do momento que o
Santo Padre Bento XVI for ao encontro do Senhor, as porteiras se abrem e os
cães furiosos são soltos. Rezemos então pela saúde do Papa… emérito!
*** * ***

Clero jovem e
“conformista” está desconfiado de Francisco – Afirma Arcebispo de Dublin



Eles estão tão presos num modelo de sacerdócio do passado



(The Tablet | Tradução Blogonicus) – A coragem do Papa
Francisco está causando inquietação entre aqueles com “um catolicismo
muito conformista e fechado” alertou o arcebispo de Dublin.

Num discurso proferido em
Melbourne, o arcebispo Diarmuid Martin fez referência a um jovem padre
querecente contou ao seu pároco que não estava tão feliz com algumas das coisas
que o Papa dizia.



O jovem sacerdote sentia que [as palavras do
Papa] “não estão alinhadas com o que aprendemos no seminário” e ele
sugeriu que elas estavam “deixando os fiéis inseguros e até mesmo
encorajando aqueles que não professavam as crenças católicas ortodoxas a
desafiarem o ensinamento tradicional”.

O arcebispo alertou os católicos progressistas e
conservadores contra o encerrar-se sobre suas próprias ideias. Ele também
reconheceu que o catolicismo irlandês tinha uma forte tradição de ensino estrito.

Respondendo aos comentários, Pe. Seamus Ahearne,
da Associação de Padres Católicos, afirmou que as palavras do arcebispo eram
“adequadas” e o que a Igreja na Irlanda precisa ouvir mais
comentários como estes.

Ele afirmou que a preocupação do arcebispo com o
“jovem padre” era bem familiar, já que muitos estão preocupados com alguns
jovens padres que na Igreja irlandesa aparentam abraçar uma visão muito
tradicionalista da Igreja.

Eles estão “presos num modelo de sacerdócio
do passado”, comentou, e disse que isso se manifesta na “forma como
eles se vestem, na forma como celebram a missa e na forma como se
posicionam”.

*** * ***




Nossos
comentários… (comentários do blogue ‘Blogonicvs).

A Associação de Padres Católicos é um grupo que até bem pouco tempo atrás se
colocava como crítico e desconfiado de Bento XVI e João Paulo II, por exemplo,
mas agora se converteu na guarda pretoriana do Papa Francisco. Isso vem
acontecendo em todo o mundo, com grupos que sempre estavam não só à margem da
ortodoxia, mas divergiam de tudo o que a Igreja dizia. Coincidência? Ou talvez
eles vejam em Francisco alguém capaz de responder aos seus mais profundos
anseios por mais mudanças, mais “aggiornamento”? Vai saber…

Nós estamos assistindo, novamente, a uma grande mudança de valores – o certo
agora é errado. É motivo de escândalo “a forma como eles se vestem, a
forma como celebram a missa e a forma como se posicionam
“!

O jovem padre se questiona: Por que o que me ensinaram no seminário
parece ser tão diferente do que sai da boca do Papa?
 Um questionamento
certamente legítimo nesses tempos de incertezas e de magistério oficioso das
entrevistas e telefonemas, e só por essa dúvida cruel temos a certeza de ser real
a perplexidade deste jovem padre, bem como acerca do nível de formação que
recebeu. Certamente não frequentou um seminário progressista, porque se tivesse
passado por uma casa de formação moderna não iria ligar muito para o que o Papa
fala.

O jovem sacerdote está confuso e preocupado com os fiéis e com a Igreja e aí
vemos que é realmente um padre de linha mais tradicional. E que resposta
recebe? Ora! O culpado é o próprio padre, certamente afetado com alguma doença
mental que o impede de ver o quão maravilhoso é este pontificado! Já o acusam,
embora sem empregar o termo, do maior pecado e da maior heresia que a Igreja já
viu: cripto-lefebvrianismo. Ário e Lutero não fizeram mal algum, mas Mons
Lefebvre… misericórdia!

Aqui é importante a gente ter em conta que todos os papas são criticados, mas o
que importa é o teor da crítica. A divisão em direita e esquerda, embora não
seja apropriada num ambiente eclesial, nos ajuda a entender. João Paulo II e
Bento XVI (só para considerar os mais recentes) eram criticados por serem
conservadores demais, por pregarem o que estava no catecismo ou na doutrina
social da Igreja, exigindo fidelidade à liturgia (Bento XVI mais do que JPII).
Os críticos desses papas eram também os críticos da doutrina e da ortodoxia da
Igreja Católica, em suma os revolucionários [SIC!].

Com Francisco acontece o inverso. Os críticos desse papa são aqueles que por
anos lutaram para defender a ortodoxia nos níveis mais fundamentais da
comunidade de fé, seja nas paróquias, nos grupos de oração e estudo, etc. Eram
desprezados pelo clero revolucionário, pelos bispos progressistas, espezinhados
pelos teólogos da PUC, etc. Não se trata, portanto, de um revezamento da
crítica, uma lei do pêndulo que diz que agora quem critica é a direita ou a
esquerda. É nessa análise que falham os conservadores que tentam, pobres
coitados!, defender ações do Papa que são objetivamente contrárias “aquilo
que aprendemos no seminário
“.

O ambiente no qual Francisco circula com mais desenvoltura é o mesmo ambiente
que era hostil à Bento XVI e JPII.

Eu confesso que tenho dó do trabalho que os bispos conservadores mais eminentes
estão tendo para defender Francisco. Recentemente o arcebispo da Filadélfia,
Charles Chaput, numa palestra proferida no Napa Institute na Califórnia chegou
a afirmar, numa constatação óbvia para nós, que “nem todo mundo está
feliz com o Papa Francisco
“! E ele disse a frase não num contexto de
quem não tá feliz com Francisco é ruim da cabeça ou doente do pé“,
como sugerem os progressistas, mas ponderando e tentando argumentar que
Francisco é o Papa de que precisamos hoje.

Se por um lado alguns bispos (coitados!) buscam defender o Papa, outros já
preparam as fogueiras para a caça as bruxas que se avizinha, como é o caso do
arcebispo irlandês. E Francisco dá sinais claríssimos de que não gosta de
conservadores, muito menos de tradicionalistas ou, como ele chama, de
“restauracionistas”. Todos os bispos removidos ou visitados por ordem
de Francisco são ou podem ser enquadrados como conservadores, a única ordem
religiosa no mundo que foi severamente interferida é uma ordem conservadora, em
várias entrevistas oficiais ou oficiosas ele já deixou claro que não
entende os padres e fieis que
desejam a missa tradicional
 ou que fazem buquês espirituais,
ou que se vestem dessa ou daquela forma
, etc. São os mesmos preconceitos
repetidos pelo padre da Associação de Padres Católicos da Irlanda.
Coincidência? Paranoia?

Estamos realmente vivendo um período de aquecimento para uma caçada [às ‘bruxas’
do tradicionalismo]. Quem vai soar as trombetas? A morte de Bento XVI, é claro.
Acredito – e aqui é pura especulação minha, fique avisado – que o Motu Proprio
Summorum Pontificum só não foi revogado ou anulado porque Ratzinger ainda vive.
A partir do momento que o Santo Padre Bento XVI for ao encontro do Senhor, as
porteiras se abrem e os cães furiosos são soltos. Rezemos então pela saúde do
Papa… emérito!



Fonte: Blogonicvs