, , , ,

Lições do passado e o eurasianismo esotérico de Aleksandr Dugin



Há setenta anos, o desembarque na Normandia‏



DESTAQUE

“A
ouvi-los
 [porta-vozes do Ocidente, descristianizados ou não], a
Rússia bolchevista seria o maior dos colossos, o fator decisivo da vitória.
Pelo contrário, as potências “burguesas”, infectadas de liberalismo, de moleza,
de desorganização, estariam prestando um concurso perfeitamente secundário para
o êxito da guerra. E, de tudo isto, se deduziria que só o comunismo possui uma
organização política e social perfeita. A prova dos noves fora, da
superioridade bolchevista, se teria feito em Stalingrado. Esta afirmação
audaciosa não pode passar sem alguns reparos.”

Em 1944, isso era dito, até em círculos católicos, como propaganda a serviço de
Stalin.


Será tão diferente do que se diz hoje, inclusive nalguns meios católicos, como
propaganda a serviço de Putin, o ex-oficial da KGB?
*** *
***



São Paulo, quinta-feira, 5 de
junho de 2014

Lições
do passado e o eurasianismo esotérico de Aleksandr Dugin

Autor: Edson Oliveira     




Livro de Aleksandr Dugin 
com o símbolo do 
movimento euroasiático.


Por ocasião dos 70 anos do
desembarque das tropas aliadas na Normandia (6 de julho de 1944), publicamos
o artigo abaixo, escrito pelo Professor Plinio Corrêa de Oliveira dias após
esse importante evento que mudou os rumos da II Guerra Mundial.


Os alertas contidos no texto
servem para nossos dias em que nos vemos novamente bombardeados pela
propaganda bolchevista, agora caracterizada como Eurasianismo – cujo principal mentor é o esotérico satanista Aleksandr Dugin. 

Dugin
tem viajado pelo mundo inteiro tentando aglutinar pessoas para sua
“cruzada” sem cruz em
favor do “perfeito cumprimento da maior revolução da história,
enquanto continental e universal. Falamos do retorno dos anjos, a ressurreição
dos heróis, da insurreição dos corações contra a ditadura da razão. Esta Última
Revolução é tarefa do Acéfalo, do portador da Cruz, da Foice e do Martelo,
coroado pelo Sol da Suástica Eterna.”
 (Cfr: Aleksandr
Dugin, em Le Prophète de l’ Eurasisme, Edição Avatar, 2006, p. 147).

Aleksandr Dugin fala ao microfone, tendo ao seu lado esquerdo o satanista francês Christian Bouchet.


Dugin, que já esteve no Brasil
e se prepara para voltar em breve, procura seduzir movimentos conservadores do
ocidente numa suposta luta contra a imoralidade do liberalismo ocidental, mas
cuja meta é destruir os EUA, país que ele vê como a personificação do mal,
sendo que o povo americano é quem mais se destaca na luta pelos
valores morais, familiares e pelo direito de propriedade, embora de momento não
estejam representados na presidência do país.
Estrela do Caos
 A estrela de oito setas que se
transformou em símbolo oficial do Eurasianismo é uma leve modificação da
“Estrela do Caos” 
(Vide figura ao
lado)
 ou também conhecida como “Estrela Mágica” da doutrina ocultista
baseada nos escritos do satanista inglês Aleister Crowley – a quem Dugin
admira pela sua luta contra o Regime Mundialista e procurou tornar
popular os escritos de Crowley na Rússia (Cfr.: 
http://oto.ru/).

A ligação entre o ‘Chaos Magick’ de Crowley (‘Magiya Khaosa’) e o símbolo do
movimento eurasiano é descrita pelo próprio Dugin em seu livro Os
Cavaleiros Templário do Proletariado (ver Parte 6, nota 56).
Esse será o futuro dos movimentos conservadores do ocidente?



Segue abaixo o artigo do Prof. Plínio Corrêa de Oliveira que nunca se deixou
iludir por manobras revolucionárias que nos oferecem falsas opções, e sempre
procurou alertar o público, especialmente o católico, contra essas investidas.

*** * ***



Não exageremos!


Plínio Corrêa de Oliveira



Desembarque de tropas americanas em Dunquerque (França), na madrugada de 6 de junho de 1944

Os
acontecimentos que se vem desenrolando na França confirmam vigorosamente as
considerações que expendemos, ainda neste mês, sobre a política militar do
Sr. Adolph Hitler.



Como
dissemos, o Sr. 
Hitler já não é o senhor de vencer, mas até certo
ponto de vista é senhor de dar a vitória a quem quiser
. E essa vitória, conscientemente, deliberadamente,
criminosamente, esse malfeitor público a está entregando nas mãos da Rússia
.
No ocaso de sua longa e sangrenta aventura política e militar, o Sr. Adolf 
Hitler,
que procurara arrastar atrás de si em outros tempos toda a Europa na
miragem de uma cruzada anticomunista, está dando a Stalin o cetro da
dominação universal
. Demonstra‑se, assim, que o anticomunismo do Sr. Hitler não
é senão um mero “bluff” de propaganda política, e que, no
fundo, os nazistas preferem a vitória do totalitarismo vermelho à das democracias
ocidentais
. A velha tese do LEGIONÁRIO se confirma: comunismo e
nazismo são irmãos, e qualquer tentativa de nos apoiarmos sobre um para
combater o outro é, no fundo, fazer o jogo de ambos
. Hitler, que já
não consegue guardar para si os louros, prefere que eles fiquem nas mãos de Stalin,
que nas de Churchill ou Roosevelt. Stalin certamente
preferiria que eles ficassem em mãos de Hitler, a vê-los adornando a
fronte das potências “burguesas”. Desejando para si a vitória, cada
um dos dois ditadores, desde que não a possa obter, prefere vê-las nas mãos do
seu sósia.





*  *  *

É
preciso que isso se afirme, se repita, se proclame
neste momento em que certos
propagandistas soviéticos no Brasil começam a torpedear insidiosamente o
prestígio dos combatentes anglo-americanos
. A ouvi-los, a Rússia
bolchevista seria o maior dos colossos, o fator decisivo da vitória. Pelo
contrário, as potências “burguesas”, infectadas de liberalismo, de moleza, de
desorganização, estariam prestando um concurso perfeitamente secundário para o
êxito da guerra. E, de tudo isto, se deduziria que só o comunismo possui uma
organização política e social perfeita. A prova dos noves fora, da
superioridade bolchevista, se teria feito em Stalingrado.


Esta
afirmação audaciosa não pode passar sem alguns reparos.

*  *  *

Plínio Corrêa de Oliveira

Afirmemos,
preliminarmente que fazemos uma distinção fundamental entre a Rússia e
comunismo
. Muitos russos poderão não compreender essa distinção, como
certos italianos não compreenderiam que distinguíssemos entre Mussolini e
a Itália, certos franceses não suportavam que atacássemos Pétain amando
embora ardentemente a França, e muitos alemães jamais puderam
compreender como, sendo nós furiosamente antinazistas, podíamos dizer-nos
sinceramente desejosos do bem da nação germânica
.Essa distinção entre um
país e os aventureiros que se apoderam de sua direção, ou entre esse país e o
regime político debaixo de cuja opressão geme, é entretanto elementar
.
Compreendam-nos ou não nos compreendam certos russos brancos, ainda ontem
anticomunistas e hoje entusiasmados com o êxito das tropas soviéticas, a
verdade é que o comunismo não é a Rússia, como não é o México, como não seria o
Brasil se desgraçadamente ele se introduzisse aqui. O comunismo é
um tipo de organização político-social diametralmente oposto à doutrina
político-social da Igreja. Ele é, portanto, o contrário da civilização cristã
É a
civilização anticristã, ou seja a civilização do anti-cristoSer
bom russo não é aplaudir o comunismo, mas combatê-lo para libertar dele quanto
antes a Rússia
. Se, portanto, queremos lutar inflexível e
intransigentemente contra o comunismo, não o fazemos porque não estimemos o
povo russo, mas muito pelo contrário: porque o amamos ardentemente em Nosso
Senhor Jesus Cristo com aquela caridade universal ‑ católica ‑ que abraça todos
os povos criados por Deus.

* * *

Isto
posto, notemos que a Inglaterra e os Estados Unidos desembarcaram
agora imensos efetivos na França, e não obstante tudo isto
, não obstante a
pressão militar na Itália, na Rússia, os nazistas resistem
tremendamente às forças de desembarque no território gaulês.

Por
que? Evidentemente porque desde o início o Sr. Hitler tem concentradas
na França tropas incontáveis, recursos sem número, de munições como de
víveres, tudo para fazer face a uma invasão aliada, efetuada de
improviso.

Haveremos
de reconhecer nos generais anglo-americanos verdadeiros poltrões? Havemos de entender
que os chefes das nações anglo-saxônicas, nossas aliadas, são cretinos e
imbecis? Ou haveremos de convir em que o Sr. Adolf Hitler realmente
deixou no Ocidente recursos imensos, e que portanto só combateu contra a
Rússia, no Oriente, com meios que estavam longe de representar o efetivo total
do exército germânico? Neste último caso,como não haveremos de reconhecer
que os russos
, ao contrário dos franceses, não tiveram de enfrentar
a plenitude dos recursos militares teutos, e que portanto a resistência da
Rússia não tem todo o significado que se lhe quer atribuir?

Não
negamos que a Rússia haja resistido com valor ao ímpeto nazista. Negamos,
porém, que daí se deva deduzir que a Rússia venceu inteiramente só, os
nazistas, nossos adversários comuns; que as nações burguesas fracassaram
inteiramente; e que os atuais acontecimentos militares possam de um ou
de outro modo demonstrar a superioridade do regime bolchevista sobre o regime
em que vivemos
.

A
Rússia lutou com êxito e valor, é certo, mas só contra uma parte das forças
germânicas. Teria ela resistido ao ímpeto total dos nazistas, caso estes
tivessem feito as pazes com a Inglaterra e pudessem ter desguarnecido o front ocidental?

Este
problema é muito sério.

*  *  *

Notemos
antes de tudo que a Rússia recuou muito diante do primeiro ímpeto nazista.
Recuou mesmo tanto, que se ela não tivesse o território imenso que possui, se
ela fosse uma nação menor, teria sido literalmente varada de lado a lado.

Calculada
a extensão do recuo russo, pergunta-se: se as tropas soviéticas tivessem sido
obrigadas a defender a Bélgica, tê-lo-iam conseguido? Evidentemente não.

A
Rússia contou, pois, com um primeiro fator independente do regime, que é a
extensão do território. Vivesse esse regime “magnífico”, “fantástico”,
“maravilhoso”, em um país pequeno, e teria sido culbuté [derrubado]
no primeiro tranco nazista
.

também
não foi o comunismo que armou o outro grande fator de vitória: o general
inverno
, como tem dito espirituosamente a imprensa. Sem esse general,
graças a cuja ação defensiva e protelatória foi possível aos russos
preparar a resistência, o que lhe teria sucedido? O fracasso que tiveram no
primeiro contato com as tropas finlandesas.

Auxiliadas
pelo inverno, pela extensão territorial, imobilização de inúmeros efetivos
nazistas, dada a iminência de uma invasão européia e a agitação dos povos
conquistados da Europa, a Rússia conseguiu, depois de imensos desastres, reagir
por fim. Reagiu com valor: aplaudamo-la. Reagiu com êxito: demos graças a Deus,
porque tudo seria melhor ou menos mau que o triunfo nazista no mundo. Mas não
exageremos as coisas: o êxito russo, que consideramos com tão sincera
satisfação, está longe, longe, muito longe de servir de argumento para o regime
comunista
.

* * *

São
ingratas essas discussões no momento em que nossa primeira tarefa deve
consistir indubitavelmente em arrasar o inimigo no 1 da
civilização cristã e do Brasil que é
 o Sr. Hitler. Por
isto mesmo, é conveniente abafar de vez esses capciosos métodos de propaganda
bolchevista
.



O
artigo de Plínio Corrêa de Oliveira foi publicado em O LEGIONÁRIO, N.º619, 18 de junho de 1944