SOBRE A ENTREVISTA DO PAPA FRANCISCO A SCALFARI,
FUNDADOR DO JORNAL ‘LA REPUBBLICA’ – O porta-voz Lombardi partiu do princípio que a
entrevista “foi gravada e que é verdadeira”.
O Papa Francisco mostrou-se relativista – inclinado
a não dar valor absoluto ao dogma – em sua entrevista ao jornal “La
Repubblica”, consideram especialistas do Vaticano, que detectaram
inquietações dos ciclos católicos a respeito dessa liberdade de expressão
papal.
Duas declarações em particular ecoaram nos círculos
católicos: quando ele disse que “o proselitismo é um erro”, e quando
deu a impressão de relativizar o dogma cristão.
“Cada um de nós tem a sua visão do bem e do
mal (…). Todos devem optar por seguir o bem e combater o mal como o concebe.
Isso seria o suficiente para melhorar o mundo”.
Pressionado com as perguntas, o padre Lombardi
observou que essa entrevista não é “um texto do magistério, mas uma
transcrição de uma conversa com uma pessoa que foi autorizada a
publicá-la”.
O porta-voz partiu do princípio que a entrevista
“foi gravada e que é verdadeira”.
De acordo com o padre jesuíta, o Papa inaugura
“um novo modo de expressão ao qual não estamos habituados”. “É
outra novidade do Papa, um terreno novo”.
“Os maiores males que afligem o mundo são o
desemprego dos jovens e a solidão em que os idosos são deixados”, disse
Francisco, incorporando questões sociais que são queridas para ele. [SIC! SIC!
SIC! SIC! SIC! SIC! SIC!]
*** * ***
Igreja deve
reforçar o seu diálogo com os não-crentes, afirmou o Papa.
reforçar o seu diálogo com os não-crentes, afirmou o Papa.
Pontífice também disse que Igreja está formada por pecadores.
O Papa Francisco mostrou-se relativista – inclinado
a não dar valor absoluto ao dogma – em sua entrevista ao jornal “La
Repubblica”, consideram especialistas do Vaticano, que detectaram
inquietações dos ciclos católicos a respeito dessa liberdade de expressão
papal.
a não dar valor absoluto ao dogma – em sua entrevista ao jornal “La
Repubblica”, consideram especialistas do Vaticano, que detectaram
inquietações dos ciclos católicos a respeito dessa liberdade de expressão
papal.
A coletiva de
imprensa convocada nesta quarta-feira (2) pelo padre Federico Lombardi para
falar sobre o “G8 dos cardeais” e a reforma da Igreja deu lugar a
muitas perguntas sobre as condições em que a entrevista foi conduzida pelo
fundador ateu do jornal, Eugenio Scalfari, o nível de confiabilidade das
declarações do Papa e a fidelidade das frases transcritas.
imprensa convocada nesta quarta-feira (2) pelo padre Federico Lombardi para
falar sobre o “G8 dos cardeais” e a reforma da Igreja deu lugar a
muitas perguntas sobre as condições em que a entrevista foi conduzida pelo
fundador ateu do jornal, Eugenio Scalfari, o nível de confiabilidade das
declarações do Papa e a fidelidade das frases transcritas.
A Igreja deve
reforçar o seu diálogo com os não-crentes, afirmou o Papa nesta entrevista. Mas
ele também acusou líderes da Igreja de “serem muitas vezes
narcisistas”, confidenciando sentir-se, às vezes,
“anticlerical”.
reforçar o seu diálogo com os não-crentes, afirmou o Papa nesta entrevista. Mas
ele também acusou líderes da Igreja de “serem muitas vezes
narcisistas”, confidenciando sentir-se, às vezes,
“anticlerical”.
Duas declarações em particular ecoaram nos círculos
católicos: quando ele disse que “o proselitismo é um erro”, e quando
deu a impressão de relativizar o dogma cristão.
católicos: quando ele disse que “o proselitismo é um erro”, e quando
deu a impressão de relativizar o dogma cristão.
“Cada um de nós tem a sua visão do bem e do
mal (…). Todos devem optar por seguir o bem e combater o mal como o concebe.
Isso seria o suficiente para melhorar o mundo”.
mal (…). Todos devem optar por seguir o bem e combater o mal como o concebe.
Isso seria o suficiente para melhorar o mundo”.
Pressionado com as perguntas, o padre Lombardi
observou que essa entrevista não é “um texto do magistério, mas uma
transcrição de uma conversa com uma pessoa que foi autorizada a
publicá-la”.
observou que essa entrevista não é “um texto do magistério, mas uma
transcrição de uma conversa com uma pessoa que foi autorizada a
publicá-la”.
O porta-voz partiu do princípio que a entrevista
“foi gravada e que é verdadeira”.
“foi gravada e que é verdadeira”.
De acordo com o padre jesuíta, o Papa inaugura
“um novo modo de expressão ao qual não estamos habituados”. “É
outra novidade do Papa, um terreno novo”.
“um novo modo de expressão ao qual não estamos habituados”. “É
outra novidade do Papa, um terreno novo”.
“Esta
entrevista, sem preconceitos ou filtros, demonstra a sua disponibilidade para
com um mundo descrente nem sempre benevolente”, considerou.
entrevista, sem preconceitos ou filtros, demonstra a sua disponibilidade para
com um mundo descrente nem sempre benevolente”, considerou.
“Não houve
nenhuma revisão do texto” antes de sua publicação, garantiu o padre
Lombardi.
nenhuma revisão do texto” antes de sua publicação, garantiu o padre
Lombardi.
“Não havia nenhuma razão para fazer correções.
Se o Papa tivesse a intenção de negar ou afirmar que houve má interpretação,
ele teria dito”, comentou o porta-voz.
Se o Papa tivesse a intenção de negar ou afirmar que houve má interpretação,
ele teria dito”, comentou o porta-voz.
O fato de ela ter sido reproduzida pelo jornal do
Vaticano, “L’Osservatore Romano”, “dá-lhe uma
autenticidade”, disse ainda.
Vaticano, “L’Osservatore Romano”, “dá-lhe uma
autenticidade”, disse ainda.
Além de nesta
quarta-feira, em sua audiência-geral, Francisco afirmar que o fato de padres,
cardeais e papas serem pecadores não muda o fato de que a Igreja é santa, na
véspera ele fez contundentes observações após iniciar os trabalhos do G8
clerical.
quarta-feira, em sua audiência-geral, Francisco afirmar que o fato de padres,
cardeais e papas serem pecadores não muda o fato de que a Igreja é santa, na
véspera ele fez contundentes observações após iniciar os trabalhos do G8
clerical.
Ele declarou
desejar uma Igreja mais engajada socialmente, que dialogue com os não-crentes e
livre da corrupção.
desejar uma Igreja mais engajada socialmente, que dialogue com os não-crentes e
livre da corrupção.
“É o
início de uma Igreja concebida como uma organização não somente vertical, mas
também horizontal”, explicou o Papa na longa entrevista ao jornal La
Repubblica.
início de uma Igreja concebida como uma organização não somente vertical, mas
também horizontal”, explicou o Papa na longa entrevista ao jornal La
Repubblica.
Nesta ocasião,
ele lamentou uma “visão muito vaticano-centrada que ignora o mundo ao seu
redor”, anunciando que fará o possível para mudar isso.
ele lamentou uma “visão muito vaticano-centrada que ignora o mundo ao seu
redor”, anunciando que fará o possível para mudar isso.
A publicação da
entrevista de três páginas concedida a um jornal de esquerda, antes da abertura
do “G8” para reavivar a Igreja Católica, é em si uma revolução.
entrevista de três páginas concedida a um jornal de esquerda, antes da abertura
do “G8” para reavivar a Igreja Católica, é em si uma revolução.
Para isso,
Francisco recebeu na semana passada na residência Santa Marta o fundador ateu
do jornal, Eugenio Scalfari, com quem já havia dialogado em colunas interpostas
no “La Repubblica”, em setembro.
Francisco recebeu na semana passada na residência Santa Marta o fundador ateu
do jornal, Eugenio Scalfari, com quem já havia dialogado em colunas interpostas
no “La Repubblica”, em setembro.
Nesta
entrevista, o Papa e o jornalista discutiram a fé e a descrença, os valores
éticos, do clericalismo e do espírito, o marxismo, com espantosa liberdade de
tom.
entrevista, o Papa e o jornalista discutiram a fé e a descrença, os valores
éticos, do clericalismo e do espírito, o marxismo, com espantosa liberdade de
tom.
Outras
passagens marcantes desta entrevista são a crítica virulenta aos
“cortesões da Igreja”, e a denúncia do “liberalismo
social”.
passagens marcantes desta entrevista são a crítica virulenta aos
“cortesões da Igreja”, e a denúncia do “liberalismo
social”.
“Os maiores males que afligem o mundo são o
desemprego dos jovens e a solidão em que os idosos são deixados”, disse
Francisco, incorporando questões sociais que são queridas para ele. [SIC! SIC!
SIC! SIC! SIC! SIC! SIC!]
desemprego dos jovens e a solidão em que os idosos são deixados”, disse
Francisco, incorporando questões sociais que são queridas para ele. [SIC! SIC!
SIC! SIC! SIC! SIC! SIC!]
O “liberalismo
selvagem” resulta em “tornar o forte mais forte, os fracos mais
fracos e os excluídos mais excluídos”, denunciou.
selvagem” resulta em “tornar o forte mais forte, os fracos mais
fracos e os excluídos mais excluídos”, denunciou.
O pontífice
pediu à Igreja que se comprometa mais com o mundo moderno e afirmou que
“os chefes da Igreja geralmente têm sido narcisistas, amantes da adulação
e excitados de forma negativa por seus cortesões”.
pediu à Igreja que se comprometa mais com o mundo moderno e afirmou que
“os chefes da Igreja geralmente têm sido narcisistas, amantes da adulação
e excitados de forma negativa por seus cortesões”.
“A corte é
a lepra do papado”, declarou Francisco.
a lepra do papado”, declarou Francisco.
O pontificado
de Francisco, conservador em relação a obediência à Igreja e a moral, mas
radical sobre o desenvolvimento social, continua a ser paradoxal.
de Francisco, conservador em relação a obediência à Igreja e a moral, mas
radical sobre o desenvolvimento social, continua a ser paradoxal.
Fonte: G1
